
O MUNDO É UMA CONSTRUÇÃO
Se houvesse frase que explicasse bem a forma como a academia portuguesa e, consequentemente, o pensamento dos seus teóricos que ocupam regularmente os lugares de decisão do país,seria esta, publicada numa coluna de opinião do Expresso:
""Não se pretende aqui discutir se esta medida é correcta ou justa, mas apenas perceber quais os argumentos que a poderão ter sustentado". Este professor da Universidade Católica (presumo, pelo título da coluna...)resume o pensamento português: não nos interessa a realidade mas a elaboração teórica sobre ela.
É este pensamento que conduz às decisões dos tribunais, à inutilidade do ensino universitário e ao fecho a tudo o que toque a vida em concreto, ou às tomadas de posição pública de vários sectores da sociedade.
Daí que o conceito de Justiça seja isso mesmo, um conceito. Para escrever sobre, palrar sobre, mas nunca para fazer nada pela sua imposição.
De onde concluo que o meu país não existe. O que existe é um boletim universitário chamado "Portugal".
3 comentários:
Mas Portugal também não está num filme do Pedro Costa, nem numa novela da TVI, nem num livro do Possidónio Cachapa nem num livro da Margarida Rebelo Pinto... Felizmente Portugal existe mesmo, independentemente de jornais, televisões, teses universitárias, literatura, cinema ou quaisquer outras construções que se façam.
Rapaz, vai passear, lê menos jornais e vê menos televisão. E depois vai escrever, que é disso que a gente gosta.
curioso ler isto no momento em que estou precisamente a traduzir um livro que demonstra que os "cientistas" sofrem de uma falta de empirismo patológica e que, devido a uma condição psicológica inata, têm enorme dificuldade em transportar o conhecimento que possuem para situações fora da sala de aula. na mouche.
Registo o fim do teu comentário. Sobretudo a parte de ler menos jornais e televisão, no que tens toda a razão. Mas há uma diferença entre quem escreve, alertando para o facto de se tratar de ficção e quem faz cara séria chamando à sua ficção realidade.
Mas no final tudo se resumirá ao mesmo, quando todos se metem em casa, agarrados às mantinhas, resta a praia deserta, o mar mais velho e mais duradouro do que nós, e a certeza que os países são convenções montadas para chatear o mexilhão. Que, coitado, só queria crescer na sua rocha inócua, a água a bater-lhe no corpo, e a esperança que ao calor do Verão se siga a humidade do tempo invernoso.
Um abraço.
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